"Experimento gera processo otimizado para gordura vegetal com óleo de linhaça
Júlio Bernardes / Agência USP
A reação de interesterificação é uma alternativa para obter gorduras usadas na produção de alimentos sem presença dos ácidos graxos trans, nocivos à saúde. Na Escola Politécnica (Poli) da USP, a engenheira química Juliana Francisco de Angelo desenvolveu um processo experimental otimizado para fazer gordura vegetal a partir da interesterificação do óleo de linhaça com a estearina de palma. O composto obtido tem excelente valor nutricional, pois o óleo de linhaça é grande fonte de omega-3, associado a redução do colesterol no sangue.
A interesterificação é uma reação química, neste estudo aplicado a um óleo e uma gordura, realizada por meio de aquecimento e da presença de um catalisador, o metóxido de sódio. “Foram realizados vários experimentos, variando a temperatura, o tempo e as composições de gordura e óleo”, conta a pesquisadora. “Em cada mistura produzida foi avaliado o ponto de amolecimento, o ponto de fusão e a consistência”.
Os tempos de reação adotados no estudo variaram conforme a temperatura utilizada. “A interesterificação é uma reação de equilíbrio, quanto maior a temperatura da reação, mais rápido o equilíbrio é atingido”, explica a pesquisadora. “Nos testes de bancada, os tempos utilizados foram entre 20 e 60 minutos”.
Os dados experimentais foram utilizados para desenvolver os modelos matemáticos e a metodologia de planejamento experimental ótimo e tentar encontrar os pontos ótimos que representam as características ideais do produto a ser obtido. “De posse dos pontos ótimos teóricos, foram realizadas novos experimentos para consolidar o ponto ótimo da reação de interesterificação”, completa a engenheira.
Saúde
O estudo é um dos primeiros a testar o óleo de linhaça na produção de compostos vegetais para margarinas. “O óleo de linhaça contribui para uma gordura com execelente valor nutricional, ou seja, alimentos que trazem benefícios à saúde”, destaca Juliana. “Ele é a maior fonte do ácido graxo alfa-linolênico, da família ômega-3, que não é produzido pelo organismo e traz alguns benefícios quando ingerido, onde o mais importante é a redução do nível de colesterol no sangue”.
A engenheira ressalta que a utilização da interesterificação nas indústrias de alimentos é recente. “Ela substituiu a hidrogenação, que gerava ácidos graxos trans, substâncias consideradas nocivas à saúde, normalmente associadas a doenças cardiovasculares”, explica. “Atualmente, os produtos obtidos da palma são bastante utilizados neste processo”.
O estudo para obtenção do ponto ótimo na interesterificação com óleo de linhaça e estearina de palma durou dois anos. O trabalho foi orientado pelo professor Gallo Antonio Carrillo Le Roux, do Departamento de Engenharia Química da Poli. Outra pesquisa, realizada na Unicamp, definiu a porcentagem do catalisador metóxido de sódio na reação."
1 comentários:
Meninas, adorei o blog, parabéns!
Dá para esclarecer muita coisa!
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